Rio promete ampliar cobertura da Mata Atlântica de 30% para 40%

Por: Estado de Minas - Política
07/11/2021


Governo do estado pretende assinar acordo durante a Conferência do Clima que está sendo realizada na Escócia.

Alok Sharma,presidente da COP-26 na foto.
Foto: PAUL ELLIS/AFP

Brasília – O estado do Rio de Janeiro vai assinar na Conferência das Nações Unida sobre Mudanças Climáticas (COP-26), que está sendo realizada em Glasgow, na Escócia, a adesão a dois grupos de governos regionais que assumem compromissos em temas como mudanças climáticas, biodiversidade e sustentabilidade. A principal meta a ser apresentada pelo governo fluminense na conferência global será elevar de 30% para 40% a cobertura florestal de mata atlântica no estado até 2050.

Para alcançar esse objetivo, está previsto, no programa Florestas do Amanhã, o reflorestamento de mais de 5 mil hectares de mata atlântica no estado, com o plantio de 2,5 milhões de mudas de espécies do bioma em unidades de conservação e em outras áreas prioritárias espalhadas pelo território fluminense. Entre as metas que serão assumidas está ainda conservar pelo menos 30% das terras e águas costeiras até 2030 e revisar o plano de ação estadual sobre a mudança climática, em conformidade com o objetivo do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura a 1,5 grau Celsius.

O estado será representado hoje pelo secretário do Ambiente e Sustentabilidade, Thiago Pampolha, que vai participar da assembleia geral do grupo de governos regionais Under 2. A coalizão reúne governos regionais de diversos países pela mitigação das emissões de gases do efeito estufa, incluindo estados brasileiros como São Paulo e Pernambuco.

Amanhã, o Rio de Janeiro vai aderir ao Regions4, que também reúne governos subnacionais em prol de metas para a proteção do meio ambiente. O governo fluminense vai aderir ainda aos programas globais de redução de emissões das Nações Unidas – Race to Zero e Race to Resilience. Segundo a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, o Rio criou 60 novas unidades de conservação desde que o Brasil aderiu ao Acordo de Paris, em 2015. O estado conta com 36% de área protegida e 40% de cobertura florestal de mata atlântica.

Com a meta de elevar a cobertura florestal de mata atlântica em 10 pontos percentuais, o governo estima que serão restaurados mais 440 mil hectares, com potencial de absorver 159 milhões de toneladas de gás carbônico. O acúmulo desse gás na atmosfera é uma das causas do aquecimento global, e florestas preservadas são capazes de absorvê-lo. Segundo a secretaria, o estado pretende neutralizar as emissões de gases do efeito estufa até 2050.

Além de apresentar resultados e compromissos no combate às mudanças climáticas, o estado convidará participantes de todo o mundo para a Rio%2b30, evento que celebrará, em 2022, os 30 anos da realização da Eco92.

Além de apresentar resultados e compromissos no combate às mudanças climáticas, o estado convidará participantes de todo o mundo para a Rio+30, evento que celebrará, em 2022, os 30 anos da realização da Eco92.

NOVA META

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, desembarca nesta terça-feira em Glasgow, quando deve confirmar o anúncio que fez, virtualmente, na abertura da conferência. Ele informou que o Brasil tem uma nova meta de redução de emissões de gases do efeito estufa. “Apresentamos uma nova meta climática, mais ambiciosa, passando de 43% para 50% até 2030; e de neutralidade de carbono até 2050, que será formalizada durante a COP-26”, afirmou Leite, em evento virtual realizado em Brasília, no edifício-sede da Confederação Nacional da Indústria.

Leite dirá também na cidade escocesa que o Brasil tem atuado como articulador do debate. “Realizamos encontros bilaterais prévios com mais de 60 países, atuando como país articulador, buscando o diálogo e pontos de convergência. Também conduzimos dezenas de reuniões técnicas, coletando subsídios que culminaram numa estratégia de negociação para defender o interesse nacional e posicionar o Brasil como país fundamental nessa nova agenda verde mundial”, afirmou.

Protesto em centenas de cidades

Londres – Milhares de pessoas saíram às ruas ontem em cerca de 200 cidades mundo afora para cobrar providências dos líderes mundiais contra o aquecimento global, mudanças drásticas no clima e desmatamento. O maior protesto foi registrado em Glasgow, na Escócia, onde está sendo realizada a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26). Com a presença da ativista sueca Greta Thunberg, o ato na cidade britânica foi iniciado debaixo de chuva e vento, que não dispersou os manifestantes. Os organizadores chegaram a estimar a presença de 100 mil pessoas no protesto. Os manifestantes carregaram cartazes e faixas pedindo “justiça climática”.

Em Glasgow, ativistas já haviam saído às ruas na sexta-feira para expressar frustração com as promessas da conferência, em protesto liderado por Greta Thumberg e pela ugandesa Vanessa Nakate, que reuniu cerca de 25 mil manifestantes, para exigir que os líderes políticos encerrassem o que chamaram de "blá-blá- blá da COP-26" e oferecessem soluções imediatas para a crise climática.

“Entendo perfeitamente a frustração e a raiva dos jovens ativistas engajados na batalha contra as mudanças climáticas, mas não há polêmica contra os líderes mundiais e a COP-26 em andamento em Glasgow", afirmou o presidente do evento, Alok Sharma, após a ação de Greta. Sharma admitiu, entretanto, que a conferência de Paris de 2015 foi apenas “de promessas” e a de Glasgow deve, precisamente por isso, se tornar uma conferência de fatos, “de implementação” de compromissos.

Ambas as mobilizações, de sexta e de ontem, pretendem se tornar um alerta para impulsionar as negociações da COP-26, que serão concluídas na próxima sexta-feira. Por enquanto, não há qualquer progresso sugerindo que será cumprido o Acordo de Paris, de 2015, para evitar que as temperaturas subam mais de 2 graus acima dos níveis da revolução pré-industrial.


Fonte: Estado de Minas - Política
Link: https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2021/11/07/interna_politica,1320687/rio-promete-ampliar-cobertura-da-mata-atlantica-de-30-para-40.shtml

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